Manuel de Lemos, presidente do Secretariado Nacional da UMP, dirigiu uma mensagem de coragem e incentivo aos provedores e provedoras que estão no comando das instituições neste período tão delicado, pelo “esforço tão nobre em prol dos mais frágeis”, e pediu especial atenção para os documentos e diplomas de apoio às Misericórdias que a UMP faz chegar diariamente às instituições em “tempo recorde”.*

Caras Provedoras e caros Provedores:

As minhas primeiras palavras são para lhe agradecer a si, aos órgãos sociais e aos colaboradores da Santa Casa a que tão ilustremente preside, pelo esforço tão nobre que tem desenvolvido em prol dos mais frágeis do nosso país.

De facto, todos fomos surpreendidos por este vírus tão poderoso, tão letal, tão rápido na disseminação, que nos confundiu e assustou a todos. Ninguém estava preparado a nível global e naturalmente que Portugal também não estava.

Nas Misericórdias, porque de repente os mais incautos repararam em nós, como se não estivéssemos aqui, no nosso posto há mais de cinco séculos, estamos a reagir como sempre fizemos. Aplicámos os planos de emergência aconselhados pela DGS, acudimos às nossas urgências e sobretudo fechamo-nos para não deixar entrar o vírus e na generalidade até ao momento (salvo um caso ou outro em que fomos mais tolerantes, ou estivemos desatentos por um segundo e o vírus entrou), fomos capazes de controlar.

Daí termos desatado, com toda a razão, a solicitar EPI (equipamentos de proteção individual) e testes. Simplesmente em todo o mundo não há esse tipo de equipamentos para uma resposta à velocidade que necessitamos. O que aumentou a nossa angústia e acentuou a nossa impotência e o nosso desespero, porque cada idoso que nos morre é um pouco de nós que morre também.

O Governo na generalidade reagiu muito bem. A Senhora Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social tem sido fantástica e criou um gabinete de crise que integra um elemento da UMP e já preparou um conjunto de diplomas de apoio às Misericórdias que vos temos feito chegar à mão em tempo record, sobretudo com a ajuda da Secretária de Estado da Ação Social, sempre atenta ao setor, e dos Presidentes dos Secretariados Regionais, que têm sido inexcedíveis. E vão continuar os documentos legais. E vai continuar a nossa pressão! Por isso vos solicito a melhor atenção para os nossos pedidos e para os emails que a UMP vos envia.
 
O Senhor Primeiro Ministro teve a enorme gentileza de responder pessoalmente a todos os meus/nossos apelos e deu-nos via aberta para o conjunto de Secretários de Estado que acompanha o desenrolar da crise, em especial, os que tratam da importação dos EPI. Por isso, posso garantir-vos que os EPI estão a chegar e que os testes já começaram a ser feitos em massa e que com a ajuda das Universidades portuguesas, em breve, não nos vão faltar testes. Oxalá esse dia chegue rápido!
 
Da parte da saúde, tradicionalmente mais complexa e de mais difícil acesso, tenho encontrado toda a compreensão e ação da Senhora Ministra e de alguns serviços chave do Ministério, mas é necessário aprofundar mais a relação das Administrações Regionais de Saúde connosco. Este é um momento de estarmos todos unidos e é imperioso que os Centros de Saúde e os ACES percebam que têm que se articular connosco desde logo percebendo que os lares não são equipamentos de saúde.
 
Como sabemos pouco sobre esta doença e os focos são muitos, por vezes vivemos de emergência em emergência. Um critério definido hoje, amanhã tem que ser alterado, sem que isso traduza desorientação, mas apenas ser proactivo em relação a esta pandemia.
 
Estamos, pois, na luta! Com ânimo, força e esperança! As Misericórdias são instituições que celebram a vida e por isso todos juntos vamos conseguir.
 
Não quero, nem posso terminar sem três palavras finais: uma para os meus colegas do Secretariado Nacional, que sempre na linha da frente têm sido inexcedíveis. É um orgulho poder liderar uma equipa assim.
 
A outra para o Senhor Presidente da República que quotidianamente se tem interessado pelas nossas casas, por vós, pelas vossas equipas e sobretudo pelos nossos/vossos idosos. Também por ele, que nos representa a todos, vamos conseguir.
 
Termino renovando os meus agradecimentos pelo seu empenho e da sua Misericórdia, seguro de que não desistirão, nem esmorecerão.