Envelhecimento da população e a necessidade de respostas estruturais estiveram no centro do debate, com o setor a defender maior articulação entre saúde e respostas sociais.

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) encerrou hoje o 15º Congresso Nacional das Misericórdias, que decorreu no Fórum Braga, dedicado ao tema “A atualidade de uma evolução segura”.

O último dia dos trabalhos ficou marcado pela reflexão sobre o património cultural das Misericórdias, entendido como um elemento essencial de identidade e de continuidade, e pela celebração do 50.º aniversário da UMP, assinalando meio século de percurso ao serviço das Misericórdias e das comunidades.

Durante a tarde, foi ainda abordada a dimensão internacional das Misericórdias, com a participação de representantes das Santas Casas de Macau, São Tomé e Príncipe e Brasil, sublinhando a projeção global desta rede de solidariedade e a sua capacidade de conjugar tradição e inovação ao serviço das pessoas e das comunidades.

Com forte mobilização das Misericórdias Portuguesas, o Congresso evidenciou a vitalidade e o dinamismo destas instituições e apontou um conjunto de prioridades estratégicas. Entre as principais conclusões, destaca-se:

No quadro das respostas sociais:

  • necessidade de uma resposta estruturada ao envelhecimento, reforçando a articulação entre os serviços públicos da saúde e da segurança social, atendendo ao impacto crescente desta realidade nas Misericórdias;
  • urgência em reformular e alargar o apoio domiciliário, garantindo soluções 24h00 por dia, 7 dias por semana permitindo aos idosos permanecer nas suas casas com segurança e dignidade;
  • implementação de programas de reabilitação dos lares existentes e expansão da rede, em territórios mais densamente povoados evitando a proliferação de respostas informais e ilegais;
  • prioridade à conclusão da rede de creches e à clarificação da resposta no pré-escolar, bem como ao reforço das políticas de apoio à deficiência.

No quadro das respostas de saúde:

  • afirmação das Misericórdias como parceiros indispensáveis do sistema de saúde, garantindo resposta de proximidade, humanizada e integrada, desde os cuidados de saúde primários até aos cuidados hospitalares e continuados;
  • valorização da complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente na redução de listas de espera e melhoria do acesso a consultas, cirurgias e meios de diagnóstico;
  • reforço da Rede Nacional de Cuidados Continuados e desenvolvimento da Rede Nacional de Saúde Mental, face ao aumento das necessidades associadas ao envelhecimento e às doenças crónicas;
  • necessidade urgente de resolver o problema das altas hospitalares, com a criação de respostas de retaguarda adequadas e sem burocracias.

No quadro do património:

  • reconhecimento do património das Misericórdias como expressão identitária e testemunho do seu percurso histórico de solidariedade;
  • necessidade de garantir acesso a financiamento e a programas comunitários que permitam a sua preservação e valorização;
  • valorização do património enquanto ativo económico, nomeadamente no contexto do turismo, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades

O Congresso sublinhou ainda o papel determinante das Misericórdias na coesão territorial, em particular nas regiões do interior, onde são frequentemente o principal empregador e suporte social. Reforçou a importância da qualificação e valorização dos recursos humanos, bem como da inovação e da digitalização, devendo estas evoluir com uma forte dimensão ética e sempre centradas na pessoa.

Foi também reafirmada a disponibilidade das Misericórdias para aprofundar a cooperação com o Estado, as autarquias e os diferentes setores da sociedade, em prol do bem comum.

Neste último dia foi também prestada homenagem ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau, António José Freitas, distinguido como Grande Benemérito da UMP – Grau Ouro, em reconhecimento pelo apoio concedido às Misericórdias portuguesas em momentos críticos, nomeadamente nos incêndios de Pedrógão, na resposta à pandemia de Covid-19 e na sequência da tempestade na zona Centro, que totalizou cerca de 300 mil euros para apoio à recuperação de equipamentos em 17 instituições.

No final do 15.º Congresso Nacional das Misericórdias foram ainda condecorados vários Provedores que se destacaram pelo seu empenho e dedicação à comunidade.