A Misericórdia de Alenquer começou o ano a ‘Pintar e Cantar os Reis’ com as crianças do Centro Infantil da Santa Casa, na manhã de 6 de janeiro, com a presença do grupo dos reiseiros da freguesia de Ota. O momento especial, que dá continuidade a uma tradição local muito característica, combinou os saberes antigos com a presença dos mais jovens que hão de prolongar esta prática no tempo.
Sendo esta uma tradição que decorre durante a noite, a diretora do Centro Infantil, Maria Balbino, explica que “à hora que os reiseiros passam as crianças nunca vão ver, só veem de manhã a pintura já feita”. Por isso, todos os anos esta valência da Misericórdia de Alenquer ajusta a experiência para os mais pequenos entenderem o que está por trás das pinturas.
O ‘Pintar e Cantar dos Reis’ toma lugar na madrugada de 5 para 6 de janeiro e tem a sua maior expressão no concelho de Alenquer. Em zonas distintas, organiza- -se um grupo de reiseiros, nome dado a um conjunto de homens da terra que se divide em pintores e cantores. Primeiro, os pintores percorrem as ruas em silêncio, pintando uma série de desenhos simbólicos como corações, estrelas e vasos nas fachadas das casas, assim como as iniciais BR (Bons Reis) ou BF (Boas Festas). Mais tarde, o grupo dos cantores reúne-se para entoar canções antigas, evocando episódios bíblicos, “em sítios estratégicos, normalmente no centro da freguesia”, conta Maria Balbino
Nesta espécie de encenação da tradição, as crianças têm a oportunidade única de ver pintores e cantores trabalhar em simultâneo à sua frente, o que se faz seguir de uma conversa e “explicação de porque é que se faz aquilo”.
Além de ser património cultural imaterial nacional, esta tradição é também candidata a ser património reconhecido pela UNESCO.
A Misericórdia de Alenquer acompanha mais de 1000 pessoas e tem cerca de 250 trabalhadores.
Voz das Misericórdias, Duarte Ferreira