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- Ericeira | Novo lar de idosos é ‘abrigo para se cuidar e ser amado’
A Misericórdia da Ericeira inaugurou, no dia 14 de maio, o Lar Nossa Senhora da Misericórdia, na presença do vice-presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Carlos Andrade, do presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hugo Moreira Luís, do patriarca de Lisboa, Rui Valério, do eurodeputado e antigo autarca Hélder Sousa Silva, instituições locais, órgãos sociais e trabalhadores da Santa Casa. A obra financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no valor de 3,8 milhões de euros, permite aumentar a capacidade instalada em 79 vagas, num concelho com uma das taxas de cobertura em lar mais baixas do país (49,8%, 2023).
Numa quinta-feira de Ascensão, feriado municipal, a comunidade participou com fé e emoção na inauguração e bênção do equipamento, que marca uma nova etapa na história da instituição. O hino nacional e o hastear das bandeiras ditaram o arranque solene das comemorações, marcadas pelo descerramento da placa inaugural, pelo patriarca de Lisboa, Rui Valério, e provedor da instituição, João Henriques Gil, seguindo-se a celebração de eucaristia.
“Esta obra nasceu para viver, para ficar e para recordar”, referiu, numa sala cheia, João Henriques Gil, agradecendo a todos os que contribuíram para a concretização do projeto, colaboradores, em primeiro lugar, parceiros e entidades públicas. Ao longo deste percurso, revela que aprendeu a pedir ajuda a uma vasta equipa e rede de parceiros: “Pedir um projeto, pedir financiamento, licenças e fiscalizações, pedir com uma mão e dar tudo com a outra, dar de beber e de comer, dar abrigo a quem dele precisar, tudo dar, se necessário a própria vida”.
Ao VM, o provedor adiantou ainda que, neste momento, a abertura do edifício depende da assinatura de acordos de cooperação com a Segurança Social, estando já em lista de espera 130 pessoas, que denunciam a “pressão demográfica registada no concelho”.
Após descerrar a placa, o patriarca de Lisboa destacou a importância do novo equipamento enquanto “verdadeira resposta de proximidade àquilo que, a nível físico, espiritual e existencial, o ser humano necessita, que é um abrigo para se cuidar e ser amado”.
Já no interior do edifício, Rui Valério considerou que esta obra “representa o esforço e a capacidade de lançar mãos à obra com o pensamento sempre nos outros, os mais frágeis e idosos”, sendo uma expressão concreta da solidariedade. “Quer dizer que, no meio da nossa individualidade, há lugar para o outro, mesmo que ele esteja nas margens da sociedade”. E, no caso da Ericeira, estamos perante “um microcosmo de geografias, que têm em comum a Santa Casa como garantia de resposta e ponto de referência onde se sentem congregados”.
Num discurso caloroso, o prelado encarou esta resposta com uma continuidade do “serviço de bom samaritano de Jesus” e brincou dizendo que “os bispos não fazem apostas, mas se fizessem podia apostar que os utentes vão encontrar aqui uma família com atenção e proximidade”.
Este acolhimento está representado na figura de Nossa Senhora da Misericórdia, pintada na parede onde foi improvisado o altar. A obra é assinada por Maria Josefina Mendonza, venezuelana, e Flávio Caporali, brasileiro, numa conjugação de estilos e técnicas. A primeira tem experiência em pintura religiosa, o segundo domina a técnica de pintura mural.
O resultado deixou-os “orgulhosos”. Para Josefina, esta é “uma imagem icónica de Portugal, que representa a Virgem, que acolhe no seu manto a Igreja, a realeza e povo, representado pelo pescador”, justificando que a primeira doação à Santa Casa foi um barril de sardinhas. Flávio complementa dizendo que esta experiência foi muito positiva.
Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas