As Misericórdias de Arganil, Borba, Cascais e Vila Franca do Campo estão entre as 31 entidades distinguidas pelo prémio BPI Fundação La Caixa Seniores 2025, que no total vão beneficiar cerca de 2700 idosos. Os vencedores da décima terceira edição foram conhecidos a 20 de novembro, numa cerimónia que decorreu no Porto Business School.

Entre os premiados, encontram- -se projetos que visam a promoção do envelhecimento ativo e saudável, em casa e na comunidade, e a prevenção de situações de fragilidade em zonas despovoadas e/ou acesso limitado de serviços, através de atividades culturais, literacia digital, promoção em saúde e redes de apoio voluntário.

Na ilha de São Miguel (Açores), o projeto da Misericórdia de Vila Franca do Campo surge como resposta ao isolamento dos idosos, falta de estímulos físicos e mentais e baixo suporte familiar. “Uma parte significativa da população idosa tem os filhos emigrados e a Santa Casa quer prevenir a institucionalização precoce”, justifica o secretário geral Rui Rainha.

Atenta a esta realidade, a equipa pretende, no âmbito de ‘Envelhecer Feliz’, o reforço das atividades dinamizadas pelos centros de convívio, em três freguesias, aumentando a participação cívica e o reforço das redes de apoio dos 80 idosos envolvidos.

Ao longo do processo, os participantes serão ouvidos no desenho das atividades, estando previstas aulas de yoga e ginástica, passeios, convívios e apoio psicossocial. A intervenção estará a cargo de uma equipa constituída por assistente social, psicólogo e animador.

Em Borba, a Misericórdia pretende descentralizar as atividades desenvolvidas na Oficina do Idoso, levando-as até às freguesias rurais de São Bartolomeu, Rio de Moinhos e Orada. Este novo projeto, ‘Oficina do Idoso em Movimento’, complementa assim as respostas existentes na sede, facilitando o acesso a espaços de convívio, aprendizagem e participação comunitária.

“Vamos ter ginástica adaptada, oficinas de memória, artes manuais, culinária, recolha e partilha de histórias, literacia em saúde, passeios, apoio emocional com psicóloga e oficinas de introdução à tecnologia”, resume a diretora técnica da oficina, Manuela Lagoa, adiantando ainda estar previsto beneficiarem 90 pessoas com mais de 65 anos.

Na região centro, a Misericórdia de Arganil vai implementar o projeto ‘CogniMotion VR: Experiências Terapêuticas Integradas’, que congrega atividades com recurso a realidade virtual e intervenção assistida por animais. Segundo Liliana Nunes, diretora técnica da unidade de cuidados continuados, “a ideia é aplicar óculos de realidade virtual ao utente e colocá-lo no ambiente em que deseja porque nem sempre é possível levá-lo lá”.

Acresce ainda a componente de reabilitação, com a contratação de um fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, sendo objetivo da instituição abranger também os utentes de lar e serviço domiciliário. “Arganil é um meio rural difícil e poder possibilitar tudo isto aos utentes faz mesmo uma diferença muito grande”, revela.

O ‘Saco da Avó’ é um projeto da Misericórdia de Cascais, criado pelo Centro de Convívio da Galiza, que valoriza os saberes e a entreajuda dos idosos. Segundo a provedora Isabel Miguens, a iniciativa surgiu “durante a pandemia e transformou-se numa dinâmica incrível que envolve muitas pessoas e tem resultado em peças únicas que podem ser reutilizadas”.

Acima de tudo, destaca a diretora do ATL da Galiza, “o saco é uma ferramenta para lhes dar importância e o lugar que merecem”.

Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas