- Início /
- Envelhecimento /
- Notícias /
- Longevidade | Mulher mais velha do país completou 113 anos de idade
Nunca houve tantas pessoas a ultrapassar a barreira dos 100 anos em Portugal. No final de 2023 eram 3149, quase o dobro de 2011 e cinco vezes mais do que em 2001 (INE). E os números indicam que mais de 80% dos centenários são mulheres. As Misericórdias de São Brás de Alportel e Monchique, no Algarve, comprovam as estatísticas, com recordes de longevidade entre as utentes do sexo feminino.
O provedor da Misericórdia de São Brás de Alportel, Júlio Pereira, aponta três causas possíveis: a “genética, em primeiro lugar, uma fé e energia interior muito forte e, por fim, cuidados de qualidade”. Por isso, diz-nos em tom de brincadeira que o “Algarve não é só sol e praia”, mas também terra de longevidade. “Neste momento há, segundo o que consegui apurar, quatro supercentenários, ou seja, com mais de 110 anos, em Portugal. E dois deles vivem em São Brás”. No caso, Maria da Conceição, utente da estrutura residencial, que completou 113 anos no dia 22 de dezembro, e Joaquim Varela, conterrâneo que completou 110 em maio de 2025.
Nascida em 1912, dois anos antes da fundação do concelho, Maria da Conceição é um testemunho vivo das transformações sociais e políticas, que moldaram o país. Na estrutura residencial, onde mora há 14 anos, é apelidada de “rainha”, como nos conta Júlio Pereira, e aqui todos a consideram membro da “família”. Apesar das limitações de mobilidade, visão e audição, “levanta- -se todos os dias, vai à mesa fazer refeições, está no seu sofá e conversa”.
Em Monchique, a Santa Casa orgulha-se de acolher, na sua estrutura residencial, seis utentes centenárias, “que guardam na memória histórias de resiliência, sabedoria e esperança, e que continuam a inspirar todos os que com elas convivem diariamente”. São elas Maria Conceição Nunes e Maria Vicente Fernandes, que nasceram ambas em 1924 (101 anos) e residem no lar desde 2022 e 2021, respetivamente. As restantes atingiram este ano a meta dos 100 anos. São elas Adelina de Jesus, Piedade Gonçalves, Maria Domingas e Delmira Chula.
Segundo nota enviada ao VM, estas residentes encontram na Santa Casa de Monchique “um ambiente familiar e seguro, onde estão garantidas todas as condições sociais e de saúde, bem como a supervisão permanente das atividades de vida diária”. Este acompanhamento individualizado é assegurado por uma equipa multidisciplinar que inclui profissionais de saúde, técnicos de reabilitação, animação e serviço social.
A Santa Casa algarvia destaca ainda o acompanhamento espiritual do capelão, em momentos de oração e celebrações religiosas, e a valorização das tradições e cultura local, que se reflete em refeições que privilegiam “sabores autênticos e produtos locais”.
Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas