Para o provedor, o investimento de três milhões de euros visa a criação de ‘um verdadeiro lar de afetos, conforto e segurança’

A Misericórdia de Abrantes inaugurou um edifício de residências assistidas, num investimento de três milhões de euros, realizado sem financiamento público e marcado por vários anos de dificuldades financeiras e burocráticas. A nova resposta social, destinada a pessoas idosas que pretendem preservar a sua autonomia, representa também uma aposta na sustentabilidade económica da instituição, que emprega 140 trabalhadores e presta apoio a mais de duas centenas de utentes. A inauguração foi a 17 de outubro, integrada no Dia da Irmandade.

O novo equipamento dispõe de 16 apartamentos, cozinha, sala de refeições, sala de convívio, gabinetes médicos e de enfermagem, farmácia e outros espaços de apoio. Concebido para proporcionar acompanhamento e segurança sem comprometer a autonomia dos residentes, acrescenta uma resposta ao conjunto de valências sociais asseguradas pela instituição.

Para o provedor João Pombo, a inauguração representa o culminar de um percurso particularmente exigente, durante o qual a atual Mesa Administrativa teve de encontrar soluções para concluir a construção e ultrapassar os obstáculos que impediam a entrada em funcionamento do edifício.

"Estes quatro últimos anos têm sido dolorosos para ultrapassar todas as adversidades surgidas e chegarmos a este dia com a obra terminada e pronta a ser utilizada”, afirmou o responsável, sublinhando que a finalidade do investimento não se esgota na construção de novas instalações, mas na criação de “um verdadeiro lar de afetos, conforto e segurança”.

A construção das residências assistidas começou em 2019, durante o mandato da anterior Mesa Administrativa. O projeto tinha um orçamento inicial de aproximadamente 1,4 milhões de euros, mas os sucessivos atrasos, os efeitos da pandemia e o aumento dos custos elevaram o investimento final para perto de três milhões.

João Pombo explicou que, na altura, a instituição enfrentava uma escolha entre concluir o investimento ou manter o edifício inacabado. A Mesa Administrativa optou por prosseguir os trabalhos, apesar dos encargos e das dificuldades. O financiamento da construção constituiu um dos principais desafios, uma vez que a instituição teve de suportar os encargos dos empréstimos durante um período prolongado, sem obter qualquer receita do equipamento.

A entrada em funcionamento das residências deverá permitir inverter essa situação, criando uma nova fonte de receitas e contribuindo para compensar os défices registados noutras respostas sociais.

A inauguração integrou as comemorações do Dia da Irmandade, que incluíram uma celebração religiosa na igreja da Misericórdia e momentos de homenagem a irmãos e trabalhadores da instituição.

Além de diversos provedores do distrito de Santarém e outros convidados, a sessão contou com o bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, a diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Santarém, Paula Carloto, o vice-presidente da UMP, Manuel Frazão, e o presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos.

Voz das Misericórdias, Filipe Mendes