A Misericórdia do Divino Espírito Santo da Maia celebrou, no fim do ano de 2023, um protocolo com a Câmara Municipal da Ribeira Grande tendo em vista a conservação, o restauro e o arquivo de imagens da antiga empresa Photolinda. Neste âmbito, a Santa Casa vai tratar dos acervos de dois fotógrafos com registos importantes da vida na zona da costa norte da ilha de São Miguel, na segunda metade do século XX.

Contactada pela família do fotógrafo Laudalino da Ponte Pacheco, a Misericórdia acedeu ao pedido de acolher um acervo de cerca de 160 mil fotografias para catalogar, conservar e digitalizar. De acordo com o provedor Laudalino Rodrigues, a instituição já sabia “da qualidade e da importância que o acervo tem para aquela zona”, então contrataram Luís Pavão, da empresa Lupa, para os serviços de conservação e tratamento do arquivo. “Acreditamos que a Misericórdia vai muito além do apoio social. A educação e a cultura são elementos de inclusão”, defende o provedor, apostando num papel ativo na proteção da identidade local.

No tratamento desta vasta coleção, a Misericórdia aliou o trabalho das fotografias à sua componente humana. Reuniu a comunidade numa noite de convívio para partilhar “fotografias que tivessem” da autoria de Laudalino Pacheco e “histórias relacionadas com elas” que quisessem partilhar, conta o gestor da Misericórdia, Rodrigo Branco.

Em diálogo com o município, a instituição foi alertada para o acervo do fotógrafo José Correia, outro fotógrafo cujos trabalhos abrangem uma maior área geográfica e cobrem o final do século XX. Após contactar a família, a Misericórdia assumiu o compromisso de trabalhar o espólio, com intenção de “criar uma zona de trabalho na Maia que pudesse dar resposta a mais acervos dispersos e em perigo de se perderem”, diz o provedor.

 

Voz das Misericórdias, Duarte Ferreira