Projeto da Misericórdia de Beja foi um dos selecionados pelo programa ‘Gulbenkian Integração de Imigrantes’

O projeto LIMA Alentejo – Laboratório de Integração e Mobilidade Agrícola, promovido pela Misericórdia de Beja, foi um dos 25 selecionados pelo programa “Gulbenkian Integração de Imigrantes”, da Fundação Calouste Gulbenkian, entre um total de 289 candidaturas. A iniciativa surge como resposta à necessidade de integração de imigrantes e apoio às explorações agrícolas na gestão de mão de obra, contribuindo para maior estabilidade laboral.

Segundo a diretora do departamento de ação social da Santa Casa, Francisca Guerreiro, a iniciativa prevê abranger, de forma direta, 160 migrantes, através da sua qualificação e integração profissional, e partiu de uma necessidade identificada no território. “Quando fizemos a candidatura, olhámos para o diagnóstico social da região e constatámos que 20% da população era imigrante (2024), muitos em situação de vulnerabilidade e a ser explorados por empresas de trabalho temporário duvidosas”. Neste contexto, definiram como objetivo “combater este ciclo de exploração porque estas pessoas são muito válidas e precisam de um apoio mais próximo”.

A experiência assenta na criação de uma plataforma digital que cruza a oferta (explorações agrícolas) e a procura (trabalhadores), promovendo a qualificação desta mão de obra, em diversas frentes (língua portuguesa, cidadania e competências técnicas agrícolas). “Esta plataforma vai levantar as necessidades de mão de obra das explorações agrícolas e vai qualificar os migrantes nas necessidades identificadas, com uma formação de curta duração, construída à medida, gerando automaticamente um contrato que fideliza as duas partes”.

De acordo com a técnica da Santa Casa, o projeto com a duração de um ano é desenvolvido com base numa “abordagem de inovação aberta e cocriação em contexto real, com a participação ativa dos seus utilizadores, como os próprios trabalhadores, empresários e parceiros, servindo depois como instrumento de trabalho para o território”.

A implementação da iniciativa está a cargo de um consórcio de nove entidades, coordenado pela Misericórdia de Beja. Entre os parceiros incluem-se instituições públicas, privadas e do setor social, desde entidades certificadas em formação profissional, Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes e entidades de âmbito distrital responsáveis pela difusão do projeto.

Além da intervenção direta com 160 cidadãos, a Misericórdia de Beja e restantes parceiros pretendem dinamizar sessões de sensibilização sobre os direitos e deveres laborais, junto de um público mais abrangente, envolvendo até 500 indivíduos, no total.

Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas