Misericórdia de Condeixa-a-Nova celebrou 100 anos de existência. ‘São cem anos de história, de entrega, de compromisso com as pessoas”, afirma o provedor Paulo Jorge Simões

A Misericórdia de Condeixa-a-Nova celebrou a 11 de abril o centenário da aprovação dos seus estatutos, enquanto ato fundamental da instituição, apesar de a sua comissão administrativa ter sido criada em 1921. No decurso de um século, a instituição tem desenvolvido uma diversificada ação social nas áreas do apoio aos mais velhos, à infância e à juventude, com acompanhamento domiciliário e uma aposta na via comunitária.

Ao participar no programa comemorativo do centenário da Misericórdia de Condeixa-a-Nova, Helena Teodósio, na qualidade de presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, disse tratar-se de uma ocasião especial e de “um marco que simboliza um século de dedicação, solidariedade e serviço à comunidade”.

Por isso, Helena Teodósio acentuou que “dobrar um século é, acima de tudo, reconhecer o percurso feito de um compromisso contínuo com as pessoas”. “Um percurso que atravessou gerações, contextos sociais distintos, momentos particularmente exigentes da nossa história coletiva, sempre com a mesma missão: cuidar, apoiar e dignificar a vida humana”, sublinhou a presidente da CIM Região de Coimbra.

Para a responsável, que também lidera a Câmara Municipal de Cantanhede, “as Misericórdias e, em particular, esta instituição de Condeixa-a-Nova, representam muito mais do que respostas sociais”, pois “são pilares fundamentais de coesão territorial, agentes de proximidade e exemplos concretos de uma sociedade que não deixa ninguém para trás”.

“Num território como a região metropolitana de Coimbra, marcado por realidades diversas, estas instituições assumem um papel insubstituível”, declarou Helena Teodósio, acrescentando que as Misericórdias “estão onde, muitas vezes, o Estado não consegue chegar com a mesma proximidade”.

Logo após a missa solene presidida pelo bispo da diocese de Coimbra, Virgílio Antunes, e a bênção de utentes e colaboradores, foram homenageados os antigos provedores da Misericórdia de Condeixa-a-Nova: Cândido Sotto Mayor Júnior, Sebastião Marques de Almeida, Fernando Sá Viana Rebelo, João da Cruz Fernandes Mota, Joaquim Silvestre Ferreira da Rosa, António Gomes, Jaime Manuel Martins Correia, Fortunato da Silva Bandeira (cujo legado e doação permitiu a concretização do lar de idosos), Amílcar Lopes Henriques Morgado, Mário José Matias Lourenço e Manuel Branquinho Flório dos Santos.

O atual provedor, que iniciou funções em 2025, salienta que “aquilo que, verdadeiramente, define esta casa são as pessoas”. “São os rostos, as histórias, os afetos e os gestos silenciosos e a dedicação de todos os dias que dão vida a esta instituição”, reforça Paulo Jorge Simões, frisando: “A Santa Casa da Misericórdia de Condeixa-a-Nova é, hoje, um pilar essencial da nossa comunidade.”

Aludindo ao potencial de esperança da instituição que dirige, o provedor Paulo Jorge Simões confirma que a Misericórdia “soube crescer, adaptar-se e responder com sensibilidade às necessidades das pessoas”. Por sua vez, intervindo como membro do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), José Júlio Norte alegou: “Para que a Misericórdia possa continuar a dar resposta à nossa comunidade, teremos de estar protegidos e de fazer uma gestão rigorosa, sustentável.”

Aproveitando a presença da secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Maria Clara Marques Mendes, o vogal da UMP anotou que, “para esse desiderato, é fulcral o apoio do Governo”.

“As receitas das Misericórdias são insuficientes e não cobrem o total das despesas. Resta-nos a generosidade dos municípios, mas o seu orçamento também é finito. Mesmo assim, têm cumprido o seu papel”, expressou Júlio Norte, também antigo autarca de Mortágua. “Todos temos o direito de sermos cidadãos de primeira. E, para isso, tem de haver amor, solidariedade e coesão social”, defendeu o representante da UMP, advertindo que “a Segurança Social tem de tomar consciência de que o país não é apenas o litoral”.

Clara Marques Mendes manifestou estar ali, “num dia de celebração, em nome do Governo”. “Mas não estou apenas hoje convosco. Tenho estado sempre convosco naquela que tem sido a minha ação na área governativa e nas funções que estou a exercer há dois anos”, sublinhou a secretária de Estado.

“O facto de estar aqui a representar o Governo é um sinal claro de reconhecimento do papel fundamental que estas instituições têm com a comunidade”, observou, insistindo que a sua intervenção legitima o desempenho das Misericórdias não só em palavras, mas em ação. Assim, ainda esclareceu: “É importante que as instituições e as pessoas saibam que estão, efetivamente e finalmente, a serem reconhecidas quer pelo trabalho que fazem, quer pela sua ação, quer pelo facto de estarem numa comunidade onde não estão sozinhas.”

Recorde-se que a Misericórdia de Condeixa-a-Nova apoia diariamente quase 500 pessoas.

Voz das Misericórdias, Vitalino José Santos