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- Crato | Livro regista as memórias de uma vida escrita com propósito
Foi num ambiente de emoção e reconhecimento que decorreu, no dia 7 de fevereiro, no Crato, a apresentação do livro ‘Histórias da Minha História’, da autoria do antigo provedor da Santa Casa da Misericórdia, Mário Cruz.
Esta obra, que revisita mais de oito décadas de vida pessoal, profissional e cívica ao serviço do concelho do Crato, surge após a saída de Mário Cruz do cargo de provedor em 2022 e após 39 anos de dedicação a uma missão que sempre encarou com grande espírito de solidariedade e abnegação.
Aos 84 anos, decidiu ocupar o tempo com um projeto que fosse além das “bricolagens”, deixando um testemunho para as gerações futuras. “Tudo o que está no livro são as memórias da minha memória”, sublinhou durante a apresentação da obra.
Com 26 anos dedicados à vida autárquica, o autor integrou o primeiro executivo municipal após o 25 de Abril e recorda esse período como um tempo de construção quase do zero, movido pela vontade de servir. “Quando entramos para um lugar destes temos de ter consciência de que entramos para servir, não para ser servidos”, disse, deixando uma mensagem aos mais jovens que ponderam abraçar a política local.
Na vertente social, destaca as quase quatro décadas à frente da Misericórdia como “os melhores anos” da sua vida. Eleito provedor aos 42 anos, nunca imaginou permanecer tanto tempo no cargo e atribuiu as conquistas alcançadas ao trabalho coletivo.
O livro evidencia a transformação da instituição ao longo de várias décadas, acompanhando as exigências crescentes na área social. Mário Cruz descreve a responsabilidade de gerir respostas sociais dirigidas aos mais vulneráveis, reforçando que a função principal de uma Misericórdia é “fazer bem a quem precisa”. Ainda assim, procurou ampliar a dimensão cultural da casa, concretizando o sonho de criar um coro e de dar vida ao projeto da Casa Museu Padre Belo.
Fazendo uma retrospetiva, Mário Cruz não manifesta arrependimentos, afirmando mesmo que, entre a família, a vida autárquica e a liderança social, “tudo valeu a pena”. “Se pudesse, faria exatamente o mesmo”, concluiu.
A sessão de apresentação do livro, que decorreu em formato de conversa, reuniu a comunidade cratense, familiares e amigos do autor.
Voz das Misericórdias, Tiago Silva