A Misericórdia do Entroncamento promoveu a conferência ‘Cuidar no Labirinto: entre o cuidar e o sentir’. O encontro reuniu mais de 100 profissionais de vários pontos do país, ligados às áreas da saúde e da ação social

A Misericórdia do Entroncamento promoveu, no dia 12 de maio, no Cineteatro São João, a conferência ‘Cuidar no Labirinto: entre o cuidar e o sentir’, uma iniciativa dedicada à reflexão sobre os desafios humanos, técnicos e emocionais associados ao ato de cuidar.

O encontro reuniu mais de 100 profissionais de vários pontos do país, ligados às áreas da saúde e da ação social. Ao longo do dia, foram partilhadas experiências, conhecimentos e perspetivas complementares sobre o cuidado, com especial enfoque no envelhecimento, na demência, na relação terapêutica, na medicação no idoso e na humanização das respostas.

A iniciativa foi promovida pela Misericórdia do Entroncamento como um espaço de partilha, sensibilização e conhecimento, procurando olhar para o cuidar não apenas como resposta técnica ou clínica, mas também como experiência humana, relacional e emocional.

Entre os oradores convidados esteve Ricardo Pocinho, presidente da Associação Nacional de Gerontologia Social, que abordou os desafios humanos, trazendo para a reflexão o papel dos profissionais, dos cuidadores e das instituições perante uma sociedade cada vez mais envelhecida.

A médica Márcia Melo, especialista em medicina interna geriátrica, centrou a sua intervenção na polimedicação no idoso e na importância da desprescrição, sublinhando a necessidade de uma abordagem mais criteriosa, individualizada e centrada na pessoa. Num contexto em que muitos idosos vivem com várias patologias e múltiplas terapêuticas, o tema assume particular relevância para as instituições que acompanham diariamente populações mais vulneráveis.

Beatriz Luís Lopes, médica interna da ULS Médio Tejo, reforçou a dimensão relacional e empática presente na prestação de cuidados. A intervenção destacou a importância de olhar para cada pessoa para além da sua condição clínica, reconhecendo a individualidade, a história e as necessidades de cada utente. A conferência contou ainda com a participação da enfermeira Carmen Garcia, autora do projeto ‘A Mãe Imperfeita’, que partilhou uma reflexão sobre a comunicação na demência. A sua intervenção incidiu sobre estratégias essenciais para melhorar a interação, o acompanhamento e a relação com pessoas em contexto de internamento ou de maior fragilidade cognitiva.

No balanço desta iniciativa, a Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento manifestou “sentimento de missão cumprida” e agradeceu a todos os oradores pela generosidade na partilha de conhecimento, bem como a todos os participantes que contribuíram para o sucesso do encontro.

Voz das Misericórdias, Filipe Mendes