Como explicou o historiador e editor José Calado, Lembranças recupera a tradição dos antigos “livros de lembranças”, onde se registavam, nas reuniões, os assuntos “para não se esquecer”. Mas o conceito vai além do registo: traduz também aquilo que permanece na memória coletiva, aquilo que define comunidades e atravessa gerações.
O projeto nasceu em contexto de pandemia, tempo de reflexão que evidenciou a importância de valorizar e divulgar um património vasto e, muitas vezes, pouco conhecido. Com cerca de 60 artigos nas duas primeiras edições, a revista reúne contributos diversos, num modelo aberto que respeita a singularidade de cada instituição.
Para o provedor da Misericórdia de Évora, Francisco Lopes Figueira, a iniciativa representa um passo importante ao dar “visibilidade pública” ao trabalho desenvolvido. “Queremos mostrar à comunidade portuguesa e internacional o património que as Misericórdias têm à sua guarda, a preocupação com a sua conservação e valorização”, afirmou.
Também o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, destacou o papel do património como elemento estruturante: “É este património que marca a nossa natureza”, destacou.