Para preparar entrada em funcionamento do centro de dia e do SAD, a Misericórdia de Lagoa recebeu formação de Vila do Bispo e Albufeira

A Misericórdia de Lagoa vai reativar as respostas sociais de centro de dia e serviço de apoio domiciliário (SAD), após requalificação do antigo hospital, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, e formação realizada em contexto de trabalho nas congéneres de Vila do Bispo e Albufeira. A abertura será gradual, a partir de início de junho, e com uma ocupação parcial (16 a 20 utentes) em cada resposta, sendo a capacidade total de 30.

O objetivo deste arranque faseado, segundo o provedor Paulo Francisco, é “permitir uma adaptação gradual e conhecer melhor cada utente”, partindo de uma “proposta diferenciadora, com uma abordagem centrada no utente, e uma simbiose com parceiros, voluntários e famílias, que transmite segurança e responsabiliza todos” adiantou ao VM.

Para tal, a Santa Casa de Lagoa conta com uma “equipa dinâmica e experiente e um projeto centrado na pessoa, que respeita as suas histórias de vida e necessidades específicas”, explicou o diretor técnico da instituição, Bruno José, com um entusiasmo redobrado na voz.

Nas semanas que antecederam a abertura, a equipa esteve em Vila do Bispo a acompanhar rotinas de trabalho, em áreas transversais ao funcionamento das respostas sociais: direção técnica, ajudantes de ação direta, serviços gerais e animação sociocultural. O programa de formação em contexto de trabalho passou também pela Misericórdia de Albufeira, no dia 14 de maio, com sessões sobre apoio ao luto, gestão e resolução de conflitos. Segundo o diretor técnico de Lagoa, “o objetivo foi ter uma perspetiva das funções, adaptando ao contexto e especificidades de cada utente”. Neste intercâmbio, destacou a motivação da equipa e a interação com os colegas que intitulam de “padrinhos”. “O sentimento com que fiquei foi de gratidão ao ver- -nos caminhar para um serviço de qualidade”, admitiu.

Em relação ao contexto de atuação, incluem-se desde “pessoas isoladas em montes, sem qualquer retaguarda familiar, a imigrantes ingleses, americanos e alemães, que procuram cuidados personalizados”. A equipa procura adaptar-se às necessidades, oferecendo mais tempo no domicílio, serviços de animação e envolvimento entre as famílias e os voluntários.

A Misericórdia de Vila do Bispo assumiu um papel ativo na capacitação desta equipa, com um triplo objetivo: “Reforçar o espírito de ajuda e solidariedade que caracteriza as Misericórdias do Algarve, revitalizar a Misericórdia de Lagoa e fortalecer a rede social da região”, revelou o provedor Armindo Vicente, que é também presidente do Secretariado Regional (SR) de Faro da União das Misericórdias Portuguesas. “Esta é a nossa forma de estar no Algarve, ajudar quem está em dificuldades porque, normalmente, quando há um problema a solução não está longe. O nosso lema é este: o bem não tem patente, só temos de o replicar vezes sem conta”, referiu.

Fiel a este objetivo, o Secretariado Regional de Faro tem replicado esta estratégia com outras Santas Casas, como Alcoutim, Mexilhoeira Grande e Quarteira. O objetivo é a reativação das irmandades, algumas com “quase 500 anos e uma história profunda na região”, e a criação de respostas sociais, partilhou Armindo Vicente, revelando que, depois de Lagoa, seguir-se-á o treino de funcionários de Mexilhoeira Grande para preparar a abertura do Centro de Apoio a Idosos (lar, centro de dia e SAD).

Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas