A Santa Casa da Misericórdia de Mêda, no distrito da Guarda, quer requalificar o edifício da sede, com substituição de caixilharia, pintura e melhoria de espaços, devido à sua degradação, mas reclama apoio do Governo. A informação foi avançada ao VM pela provedora Maria Isabel Breia de Sousa, a propósito do 100.º aniversário da instituição, comemorado no dia 22 de agosto.
A provedora revelou que um dos principais desafios que a Misericórdia de Mêda atravessa é a falta de programas do Governo para financiamento de obras em instituições particulares de solidariedade social (IPSS). Esta circunstância, continua a dirigente, obriga a que eventuais empreitadas sejam totalmente suportadas pela instituição, o que “às vezes é impossível” e leva a que a manutenção dos edifícios “acabe por se prolongar no tempo”.
“Estamos a fazer agora um levantamento das necessidades dos edifícios, porque nos estamos a preparar para uma possível candidatura ao PRR (Plano de Recuperação e Resiliência). É outra falha do Governo, as candidaturas não são vocacionadas para as IPSS e vemo-nos com dificuldades em ter meios financeiros para colmatar, nomeadamente, a mudança de toda a parte energética”, apontou Maria Isabel Sousa.
De acordo com a responsável, a melhoria energética representa um “encargo muito grande para a instituição”, sublinhando elevados gastos de gás utilizado para aquecimento e a instalação de ar condicionado para fazer face ao calor “extremo”.
Devido à tensão entre os Estados Unidos da América e o Irão, o aumento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares também representou uma “machadada” no orçamento da instituição.
A Santa Casa da Misericórdia de Mêda acolhe cerca de 140 idosos nos seus dois lares, Nossa Senhora de Fátima e Dr. Joaquim Nunes Saraiva, aos quais se juntam utentes do apoio domiciliário, centro de dia e ATL, perfazendo um total de 200 pessoas apoiadas por dia. Tem ainda um bairro social para famílias em situação de vulnerabilidade, que terá um novo regulamento para atualização de rendas.
A instituição emprega cerca de 100 pessoas. No entanto, a falta de mão de obra, que “é comum a todas as Misericórdias e a todo o interior do país”, é outro dos problemas apontados pela provedora, que admitiu a contratação de trabalhadores imigrantes como “a única hipótese” em períodos mais críticos, como baixas e férias.
“Temos acolhido bastantes imigrantes”, disse, adiantando que “uma dezena” de funcionários são estrangeiros e a única área “onde não há falha e em que existe muita procura é a de técnicas superiores na área social”.
Na cerimónia de aniversário, a provedora lançou ainda um repto à Câmara Municipal de Mêda para encontrar uma solução conjunta para o acolhimento de crianças e jovens, uma vez que o ATL que a Misericórdia disponibiliza, segundo disse, “só dá prejuízo” à instituição, devido ao facto de o preço das mensalidades corresponder à capacidade financeira das famílias.
Maria Isabel Sousa está há cerca de um ano à frente da Misericórdia de Mêda. Tem como prioridade, vincou, as melhorias infraestruturais e a rentabilização do edificado, com redução de custos, mas sem descurar os cuidados para os idosos.
A instituição está ainda a investir na aquisição de equipamentos, como cadeiras de rodas, colchões adequados para pessoas acamadas e camas articuladas, através de uma candidatura, no âmbito do PRR e Segurança Social, no valor de 400 mil euros.
O primeiro centenário da Misericórdia de Mêda contou com a participação da comunidade e de representantes de diversas entidades, entre elas a União das Misericórdias Portuguesas, na pessoa do vice-presidente Carlos Andrade.
Voz das Misericórdias, Ângela Pais