“Vocês são o verdadeiro coração desta instituição”. As palavras são de Nuno Bessa, provedor da Misericórdia da Murtosa, que celebrou a 18 de abril o seu centenário. A data foi assinalada com uma sessão solene onde se lembrou o passado e perspetivou o futuro.

“A história desta instituição alicerça-se no serviço aos outros” afirmou o provedor, após uma síntese histórica que nomeou e enalteceu todos quantos contribuíram para que a instituição nascesse e se desenvolvesse ao longo de um século.

Ao longo de uma história “que continua a ser construída”, o provedor lembra que “foram, de forma abnegada e altruísta, havendo homens e mulheres desta terra que continuaram a aceitar o repto de servirem os órgãos sociais desta Irmandade”. No entanto, mais do que os órgãos sociais, Nuno Bessa emociona-se na referência aos colaboradores da Santa Casa. “Contamos com homens e mulheres que são verdadeiramente o coração desta instituição”, disse o dirigente, lembrando que “estes trabalhadores colocam toda a sua vida nesta missão”. “O vosso trabalho, que muitas vezes é silencioso e de um valor incalculável, merece o nosso maior reconhecimento”, concluiu.

Aproveitando a presença do diretor do Centro Distrital de Aveiro da Segurança Social, Fernando Mendonça, e do presidente da Câmara Municipal da Murtosa, Januário Cunha, Nuno Bessa sublinhou a importância do setor social, lembrando que “desempenha um papel absolutamente essencial na coesão, na dignidade e no bem-estar da nossa comunidade”. Por isso, continuou, “é fundamental que continue a ser valorizado, reforçado e apoiado de forma consistente e comprometida. Perdoem-me o slogan: investir no social é investir nas pessoas, é investir no futuro de todos nós”.

Em representação da UMP, o presidente do Secretariado Regional de Aveiro também enalteceu o papel de homens e mulheres que, “com espírito de missão, construíram e sustentaram uma obra que ultrapassa o tempo”. À semelhança de Nuno Bessa, António Pina Marques enalteceu ainda o trabalho “incansável” de todos os colaboradores da instituição. “São eles, no dia a dia, que dão rosto à Misericórdia, com profissionalismo, com riqueza e, sobretudo, com uma enorme dimensão humana. O seu exemplo silencioso é uma grande força que anima esta missão”, reforçou, destacando também o papel dos órgãos sociais porque “governar uma instituição desta natureza exige não só rigor, mas também sensibilidade social”.

“Que este centenário seja não apenas um momento de celebração, mas também de renovação do compromisso com a comunidade. Que os próximos 100 anos sejam igualmente marcados pela mesma dedicação, espírito e serviço”, concluiu.

Januário Cunha, presidente da Câmara Municipal da Murtosa, dirigiu-se à Santa Casa como uma instituição “sempre à frente do seu tempo”, sublinhando que foi “pioneira na materialização de uma resposta estruturada de cuidados de saúde hospitalares, na disponibilização de uma estrutura residencial para idosos, na oferta privada de creche e pré-escolar, nos serviços de apoio domiciliário e de centro de dia, na implementação de uma residência de otimização e inclusão, na abertura de um centro de apoio familiar, entre muitos outros”.

Também presente na sessão, o bispo de Aveiro, António Moiteiro, recorreu à génese do movimento das Misericórdias em Portugal para enaltecer o papel que estas desempenham. “As Misericórdias, no final do século XV, nasceram por iniciativa de leigos. Não foi dos padres, foi dos leigos. E o primeiro compromisso, o primeiro documento que temos, diz que se juntaram 12 homens bons”, indicou.

Por fim, o diretor do Centro Distrital de Aveiro da Segurança Social, Fernando Mendonça, reconheceu que se vivem tempos difíceis, onde se verifica ausência de empatia e de muito individualismo, deixando um apelo à união. “A única possibilidade que nós temos de resistir a tudo isto e de levar em frente as nossas missões é estarmos unidos, para colmatar as necessidades das pessoas”.

Voz das Misericórdias, Vera Campos