A peregrinação dos colaboradores da Santa Casa da Misericórdia da Amadora a Fátima constituiu, acima de tudo, um caminho vivido em comunidade. Ao longo de vários quilómetros, cada passo foi marcado pela superação pessoal, pela partilha e pela consciência de que ninguém faz o caminho sozinho. Peregrinar é reconhecer a fragilidade humana, aceitar o apoio dos outros e descobrir a força que nasce da união.
Este artigo de opinião do diretor-geral da Miseicórdia da Amadora, Manuel Girão, integra a edição de junho de 2026 do Voz das Misericórdias.
Num mundo cada vez mais centrado na tecnologia e na imediata satisfação das necessidades, a peregrinação desafia-nos a parar, a escutar e a reencontrar sentido nas coisas simples. Caminhar até Fátima é sair da rotina e abrir espaço para a reflexão interior, para a gratidão e para o encontro com os outros. É uma experiência que continua a fazer sentido nos dias de hoje precisamente porque responde a necessidades de pertença, de esperança e de propósito.
Ao longo deste percurso, foi particularmente significativo o acolhimento recebido por duas instituições irmãs, a Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo e a Santa Casa da Misericórdia de Pernes. Ambas abriram as suas portas aos peregrinos da Amadora com uma generosidade e disponibilidade que importa reconhecer e valorizar. O gesto de acolher quem caminha, oferecendo descanso, alimentação, conforto e palavras de incentivo, traduz de forma concreta uma das mais nobres obras de misericórdia: dar pousada aos peregrinos.
Mais do que um apoio logístico, este acolhimento representou um testemunho vivo da missão das Misericórdias. Num tempo em que tantas vezes prevalece a indiferença, encontrar instituições que colocam o cuidado pelo outro no centro da sua ação é um sinal de esperança e de continuidade dos valores que dão sentido às Misericórdias há mais de cinco séculos.
Também no contexto profissional, iniciativas desta natureza têm um impacto profundamente positivo. A peregrinação fortalece os laços entre colegas, promove o espírito de equipa e reforça a dimensão humana das instituições. Fora do ambiente habitual de trabalho, os colaboradores têm oportunidade de se conhecer de forma diferente, partilhando dificuldades, emoções e conquistas. Essa vivência conjunta reflete-se depois numa maior motivação, proximidade e sentido de missão no exercício diário das suas funções.
As Misericórdias são, por definição, lugares de cuidado e de serviço. Peregrinar juntos e ser acolhidos por outras Misericórdias recorda-nos precisamente que a verdadeira missão é construída na relação humana, na solidariedade e na capacidade de caminhar lado a lado.
No fim do caminho, chegamos a Fátima com os pés cansados e com os músculos doridos, mas com o coração cheio. Porque peregrinar continua a ser, hoje como ontem, um caminho de fé, de encontro e de Misericórdia.