Cavalos e carroças voltaram à Santa Casa da Misericórdia de Portalegre, recuperando o tradicional e simbólico cortejo de oferendas, realizado a 5 de setembro. Mais importante do que aquilo que outrora se levava nas carroças é o significado do próprio caminho: aproximar a comunidade da Misericórdia e renovar o sentido de partilha que esteve na origem destes cortejos.
A iniciativa contou com os Romeiros de Esperança, do concelho vizinho de Arronches, que participaram com dez carroças, algumas transportando utentes da instituição, e com cavaleiros que mantêm viva uma tradição transmitida entre gerações.
No passado, explicou a provedora da Misericórdia de Portalegre, Luísa Moreira, eram as casas nobres e os lavradores que levavam animais e outros bens capazes de ajudar a sustentar a Santa Casa durante o ano. Hoje, as regras e a própria realidade social já não permitem reproduzir esse modelo. O que permanece é o princípio que estava por detrás da oferta.
“Na Mesa Administrativa, quisemos recuperar esta ideia de dar à Misericórdia. De fazer um caminho até à Misericórdia. Uma peregrinação”, explicou. Para a provedora, esse caminho significa atualmente olhar para a instituição, conhecê- -la e perceber que continua a fazer parte da vida da comunidade.
É também por isso que Luísa Moreira entende a solidariedade para além da ajuda material. “A Santa Casa da Misericórdia não é minha”, sublinha, recordando os 525 anos de existência e defendendo que todos devem olhar para a instituição “como sendo parte” da comunidade. Para a responsável, a solidariedade e a fraternidade não podem ficar apenas nas palavras, mas têm de ser vividas no quotidiano.
Essa presença ganha particular importância junto de quem vive na Santa Casa. A provedora Luísa Moreira lembra que existem utentes que raramente recebem visitas e aponta a solidão como um dos problemas da sociedade atual. Por isso, abrir as portas da instituição é também proporcionar encontros, conversa e companhia aos idosos.
Voz das Misericórdias, Tiago Silva