Ao som da viola e da guitarra portuguesa, entre vozes que ecoaram memórias, afetos e tradição, a Santa Casa da Misericórdia de Portalegre voltou a transformar-se, por uma noite, numa verdadeira casa de cultura e encontro comunitário. A terceira edição da ‘Noite de Fados Solidária’ reuniu dezenas de pessoas num serão em que o fado serviu de ponte entre gerações e a solidariedade voltou a ocupar o lugar principal.
O refeitório da instituição encheu-se de música, aromas tradicionais e convívio, numa iniciativa pensada não apenas para angariar apoio financeiro, mas sobretudo para quebrar rotinas e aproximar os residentes da comunidade. “Queremos que os nossos utentes sintam que esta é a casa deles e que continuam a fazer parte da sociedade”, sublinhou Maria Luísa Moreira, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre.
A responsável explica que a iniciativa nasceu precisamente da vontade de abrir as portas da instituição à comunidade e combater o isolamento social. “Na nossa casa também recebemos amigos. Queremos que os nossos residentes sintam que não estão à margem, mas integrados e felizes”, afirmou.
A adesão crescente demonstra que o evento começa já a ganhar lugar próprio no calendário cultural da cidade. Depois de uma primeira edição modesta, com cerca de 30 participantes, a iniciativa contou este ano com a presença de 75 pessoas, o que, segundo a provedora, “é um número muito bom e que mostra que o projeto tem vindo a crescer”.
Ao longo da noite, as vozes de Dina Valério, Nuno Silva e Cristina Trindade deram vida ao espetáculo, acompanhadas pelos acordes de Nuno Cirilo e Miguel Monteiro, que aceitaram, de forma totalmente voluntária, o convite da instituição.
Mas a noite não viveu apenas de música. À mesa, o caldo verde, o chouriço assado, a broa e o vinho ajudaram a reforçar o ambiente familiar e tipicamente português que marcou o evento. Tudo foi preparado pelos colaboradores da instituição, num esforço coletivo que espelha o envolvimento interno da Misericórdia nesta iniciativa solidária.
Embora o valor angariado com as entradas represente uma ajuda importante para a instituição, Maria Luísa Moreira acredita que o maior ganho está na dimensão humana do evento. “Mais do que a receita, fica a alegria das pessoas, o convívio e a sensação de pertença”, salientou.
Voz das Misericórdias, Tiago Silva