Francisco Jorge da Silva Ferreira é provedor da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, na ilha Terceira (Açores), há 37 anos, mas há praticamente 40 que faz parte dos órgãos sociais da instituição.
No dia 1 de maio próximo completa 80 anos de idade e confessa que é chegada a altura de sair da instituição, mas garante que o seu amor à causa irá continuar.
Em declarações ao VM, Francisco Ferreira diz-se “irmão e sócio” de todas as instituições da Praia da Vitória e é por isso mesmo que este livro biográfico foi preparado. Francisco não é apenas provedor da Santa Casa, mas sim da terra que o viu nascer.
Secretamente, a Mesa Administrativa da Misericórdia convidou o jornalista Victor Alves para escrever o livro, recolhendo toda a informação sobre a sua vida. “O livro conta a minha história desde pequeno. O livro tem muita coisa, muita coisa da minha história. Fizeram uma obra bem-feita”, diz, satisfeito.
Estes quase 40 anos de Santa Casa e toda uma vida de dedicação à Praia da Vitória valeram a presença de mais de 300 pessoas na Igreja do Senhor Santo Cristo das Misericórdias, no passado dia 16 de janeiro. Várias instituições estiveram presentes - incluindo a União das Misericórdias Portuguesas na pessoa do seu presidente, Manuel de Lemos - para prestar homenagem a este homem que se considera “estimado” em todo o lado. Homem que, inclusivamente, foi condecorado em 2010 pela Assembleia Legislativa dos Açores, com uma Insígnia Autonómica.
Desde cedo que Francisco Ferreira se dedicou ao associativismo. Aos 15 anos (embora legalmente só aos 18) já pertencia à direção da Filarmónica União Praiense; foi sócio fundador da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Praia da Vitória – título que ostenta com muito orgulho, já que, até então (1984), apenas havia bombeiros na Base das Lajes; também fez parte do Jornal da Praia e é, ainda, vice-presidente do Lar D. Pedro V, que dá apoio a idosos no concelho.
Para além de tudo isto, foi também presidente da junta. Com um sorriso afirma: “Tudo o que não dá dinheiro na Praia, faço parte da direção”. Mas “faço-o pela minha terra. Não tenho pai, mãe ou irmãos, mas tenho 35 afilhados e muitos amigos”, confessa Francisco.
Há 40 anos a fazer parte dos órgãos sociais da Misericórdia (37 como provedor), muitas foram as conquistas alcançadas. “Quando cheguei, só havia uma farmácia. Então fez-se um jardim de infância, depois uma creche, depois uma farmácia nova, mais um jardim de infância, fizemos um abrigo para senhoras vítimas de violência doméstica, mais tarde foi necessário criar uma casa para os jovens.” Os tempos foram mudando, as necessidades foram crescendo e era altura de “dar abrigo a quem estava a dormir nas ruas da Praia da Vitória”.
O caminho foi difícil, garante Francisco Ferreira, mas com o passar do tempo, foi sendo cada vez “menos trabalhoso”, até porque os funcionários (agora 148) começaram a ser parte cada vez mais ativa do dia a dia da gestão da instituição.
Quem conhece a Praia da Vitória, admite haver um antes e depois de Francisco Ferreira. Mas o próprio afirma que apenas fez “o que era dever fazer”. E “faço-o porque tenho um grupo de gente boa em todas as instituições. Há gente na Praia que gosta da Praia” e, por isso mesmo, tem a certeza que o futuro está assegurado pelos mais novos.
Voz das Misericórdias, Linda Luz