Tem 47 anos. É natural de Rio Meão, Santa Maria da Feira. Jornalista há mais de vinte anos, metade dos quais com ligação ao Voz das Misericórdias (VM). “Uma feliz coincidência”, diz-nos Vera Campos.
“Tinha terminado a ligação com um jornal regional e vi um anúncio da UMP onde referiam estar a selecionar jornalistas para criar uma rede de correspondentes a nível nacional. Enviei o CV e passado algum tempo recebi o contacto da Bethania [editora]. Até hoje”.
Ao longo dos anos, foram dezenas os trabalhos que já escreveu. Histórias de vida, projetos inovadores, inaugurações, comemorações centenárias. “Cada um é diferente à sua maneira. Uns tocam-nos mais ao coração. Outros deixam-nos a pensar. Mas todos são sinal da capacidade que as Santas Casas têm de se adaptar, reinventar e superar”, confessa.
E que trabalhos mais a marcaram, perguntamos? “Ui”, responde de forma imediata. “Não é fácil”, acrescenta. Mas após alguns instantes, vai relatando alguns episódios.
O primeiro que nos recorda refere-se ao serviço de apoio domiciliário noturno da Santa Casa de Oliveira de Azeméis. “Lembro-me que saí com a equipa por volta das 21h. E duas das visitas deixaram- -me” … faz uma pausa… “posso dizer angustiada, maldisposta. Um senhor que vivia sozinho, numa casa, se podemos chamar casa, sem o mínimo de condições rodeado pelos seus gatos e por alguns ratos, noutro caso um octogenário moribundo, que estava despido num quarto imundo e com cheiro nauseabundo, com apenas um colchão no chão. Em ambas as situações, a equipa que presta este serviço agiu com um profissionalismo e dedicação que não se vê em muitos sítios”, garante.
Num registo mais divertido, conta-nos uma atividade que acompanhou na Santa Casa da Murtosa. O objetivo da reportagem prendia-se com atividades de desenvolvimento motor dos seniores. “Quando cheguei vi “velhinhos” com um comando na mão a jogarem playstation. E o que eles se mexiam e divertiam”, lembra a sorrir.
Para Vera Campos, as histórias que tem acompanhado demonstram que as equipas que constituem cada uma das Misericórdias são fundamentais para que os seus utentes sejam pessoas mais felizes. “E quando digo equipas, incluo toDez anos a contar histórias Histórias com rosto dos os elementos, desde diretores a auxiliares e voluntários. São como uma segunda família para muitos e às vezes são mesmo a única família”.
Através do VM, a correspondente acredita que tem sido possível divulgar projetos e iniciativas que transformam vidas. Por exemplo, em Santo Tirso, através de um programa de capacitação, nasceu a Nova Sina que juntou um grupo de mulheres ciganas que encontraram um novo sentido para a sua vida. “Sentiram-se valorizadas como nunca haviam sido”.
Pelo caminho já testemunhou, também, algumas perdas. “Fiquei muito triste quando soube do falecimento do engenheiro Arlindo Maia, provedor da Santa Casa de Vila do Conde. Lembro-me de fazer um rally paper com ele, nas ruas da cidade. Era a boa disposição em pessoa”, conta.
Vera Campos, que começou solteira no Voz das Misericórdias, hoje é mãe da Maria Lucas e esposa do também corresponde do VM, Paulo Sérgio. Espera poder continuar a contar estórias e a fazer parte da história deste jornal.
CURIOSIDADES
Há encontros que se repetem. “Já entrevistei por duas vezes um utente das Santa Casa da Misericórdia de Gaia, mais concretamente das Residências Seniores. O senhor António do Carmo Teixeira. Aos 100 e aos 102 anos e é incrível a jovialidade deste homem, que ainda conduz, escreve livros, faz as suas caminhadas diárias junto ao mar e as almoçaradas com os amigos. Faz-me pensar que assim vale a pena envelhecer”, comenta.
A jornalista Vera Campos reconhece o carinho com que os jornalistas são recebidos nas Misericórdias. “Quando fazemos reportagens de vida, quando vamos ouvir a história de algum utente em especial, sabemos que eles têm um cuidado extremo na preparação. Nos homens o cuidado com a roupa, nas senhoras a roupa e todo o cuidado pessoal de cabelo e unhas. Ficamos enternecidos”.