No âmbito das comemorações do Dia da Cidade, assinalado a 19 de março, a Câmara Municipal de Santarém distinguiu as Santas Casas da Misericórdia de Santarém, Alcanede e Pernes com a medalha de valor e altruísmo do município, numa cerimónia que decorreu no Convento de São Francisco, integrada nas Festas de São José. A homenagem reconheceu o contributo histórico e continuado destas instituições no apoio social às populações, num momento que sublinhou o seu papel como estruturas fundamentais de coesão e solidariedade no território.
A atribuição da medalha às três Santas Casas do concelho foi assumida como um reconhecimento coletivo de instituições que, ao longo de séculos, têm sustentado uma presença discreta, mas determinante junto das populações.
Na cerimónia, o momento foi introduzido como uma homenagem conjunta, sublinhando aquilo que aproxima estas instituições: “as Misericórdias são, por natureza, instituições de serviço alicerçadas nos valores de compaixão, de justiça e de auxílio a quem mais precisa”, sendo descritas como “agentes de coesão social” e “exemplos maiores de altruísmo quotidiano”.
Em nome da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, José Miguel Noras construiu uma intervenção marcada por uma forte dimensão simbólica e quase literária, evocando o papel destas instituições num tempo de incerteza. “As Misericórdias serão sempre faróis de luz e pontos de encontro”, afirmou, sublinhando a sua função agregadora num contexto em que “há tantas incertezas” e em que persistem “desígnios negativos sobre o mundo”.
A intervenção de Wanda Mendo, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Alcanede, trouxe o enfoque para a dimensão institucional e para o papel dos recursos humanos que sustentam a resposta social. “É uma honra estar aqui em representação da Santa Casa da Misericórdia de Alcanede e sermos agraciados com esta medalha”, afirmou, destacando o carácter singular do concelho, “um dos poucos, senão o único, com três Misericórdias”.
A responsável sublinhou ainda a importância da relação com o município, mas foi para dentro das instituições que dirigiu o essencial da distinção: “São eles, os trabalhadores, aqui representados pela direção técnica, os grandes merecedores desta medalha”, referindo-se a equipas que diariamente concretizam uma missão “muito exigente”, enraizada em instituições seculares.
Já Manuel João Maia Frazão, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pernes, centrou a sua intervenção na dimensão prática e abrangente da intervenção social, articulando tradição e resposta contemporânea. Recordando os 438 anos da instituição, falou de uma “grande responsabilidade” em representar uma organização que agrega “milhares de pessoas” ao longo da sua história, entre dirigentes, colaboradores e utentes. A distinção, afirmou, cruza-se diretamente com o lema da instituição: “Cuidar com bondade”. Um princípio que se concretiza num acompanhamento integral: “cuidamos com bondade desde os primeiros dias de vida até ao fim da vida”.
Voz das Msericórdias, Filipe Mendes