A campanha de vacinação arrancou com a expectativa no distrito de Vila Real, onde todos anseiam pelo regresso às rotinas e aos afetos

A campanha de vacinação no distrito de Vila Real arrancou nas Misericórdias de Peso da Régua, Montalegre e Valpaços, onde o risco de contágio era, à data, extremamente elevado. Apesar de alguns surtos que comprometeram a calendarização prevista, o sentimento é de esperança.

No Alto Tâmega, por exemplo, a Misericórdia de Montalegre ainda tenta debelar essa realidade, ao mesmo tempo que recebe esperança em doses de 0,3 mililitros. “Foi uma tristeza porque estava a vacina a chegar e tivemos um surto na ERPI, onde temos 80 utentes”, confessa o provedor Fernando Rodrigues.

As vacinas chegaram à Misericórdia a 5 de janeiro e foram tomadas por 33 utentes e 31 colaboradores da unidade de cuidados continuados. Registaram-se 4 recusas, mas o processo “correu bem”. “Os trabalhadores e utentes receberam a vacina com muita alegria e uma esperança fundada. Estavam ansiosos pela toma, mas ficaram surpreendidos por ter chegado tão cedo”, refere.

Com a segunda inoculação prevista para 25 de janeiro, não se registaram reações adversas. “Acreditamos que este é o momento em que tudo vai começar a mudar para voltarmos a ter uma vida normal. Foi um ano muito duro para a Misericórdia, para o País e para o mundo, mas a vacina mostrou que quando há cooperação, a ciência anda mais depressa e faz coisas excecionais pela humanidade”, destaca Fernando Rodrigues, que lidera uma instituição com 100 colaboradores e 136 utentes.

O novo coronavírus atingiu cerca de 190 pessoas na Misericórdia de Chaves e, por isso, foi com “esperança” que os utentes e colaboradores das cinco ERPI receberam a vacina. “A adesão foi superior a 90%, tendo sido administradas 323 doses da vacina”, atesta o provedor Jorge Pinto de Almeida.

Com 325 utentes em ERPI e 224 colaboradores afetos a essa valência, a Misericórdia de Valpaços foi palco da primeira inoculação nos dias 6 e 7 de janeiro. Até ao momento, foram distribuídas 338 doses. “Notei que os utentes estavam calmos e sem receios no que respeita a possíveis efeitos secundários. Já nos colaboradores, e em virtude de toda a informação que é transmitida, notei alguma ansiedade, mas também satisfação por termos sido considerados um grupo prioritário”, constatou a diretora técnica Marilina Lopes.

Neste contexto pandémico, cabe também a excecionalidade do lar da Misericórdia de Peso da Régua, que não registou qualquer caso de infeção pelo novo coronavírus. Bastaram 2h30 para vacinar todo o universo da instituição: 77 utentes e 47 colaboradores. “Ninguém teve dúvidas. A adesão foi massiva e não houve efeitos secundários nem reações adversas à vacina”, relata a diretora técnica Cristiana Queirós.

A vacina contra a Covid-19 é vista pelas famílias como “uma esperança para poder fazer visitas e levar os familiares para casa”. Já para os utentes simboliza resgatar a liberdade: “esperam, sobretudo, poder sair à rua”. “Os utentes estão ansiosos por sair, o que é normal, porque já estão fartos desta situação que dura há quase um ano”, conclui.

Voz das Misericórdias, Patrícia Posse