António Duarte, residente do lar de Budens, é o guardião mais velho de uma tradição musical que foi tema de filme

Um residente no lar de idosos de Budens, da Misericórdia de Vila do Bispo, é o protagonista mais velho do documentário ‘Canas das Hortas’, sobre o instrumento da cana rachada. Com presença em vários pontos do país, a cana rachada é especial na zona de Vila do Bispo pela forma como é tocada, o que faz com que seja preparada de outra forma também.

O documentário - realizado pela associação cultural ‘O Corvo e a Raposa’ e apoiado pelo município - quis registar este instrumento que é “uma coisa residual, é mais conhecido noutras zonas do país e em Vila do Bispo tem uma forma muito própria de ser tocado”, conta Ana Machado da associação. Após procurarem por dois anos, chegaram à “pessoa mais velha que conhecia ainda a forma de tocar”: António Duarte, hoje 95 anos, residente do lar de Budens. Em conversa com o VM por videochamada, António Duarte recorda como começou a tocar a cana com “dezoito anos”, sendo presença assídua nos bailes “acompanhando o acordeão” e onde “a cana estava sempre às ordens”.

A presença musical não o abandonou, pois no lar de Budens, onde é residente há 10 anos, as atividades de que mais gosta têm música. “Mal ouve uma música, fica logo com outra disposição”, aponta a animadora Ana André, que acompanhou as gravações em conjunto com a técnica de geriatria. Por sua vez, a colega Catarina Branco assistiu com António ao documentário.

Ao preparar-se para a gravação, António Duarte “pediu uma faquinha e esteve ainda a melhorar aquela cana”. É a sua presença no documentário como guardião mais velho desta memória que dá razão ao título ‘Canas das Hortas’, aldeia de onde é natural. Apesar do quadro demencial que se agravou desde a sua participação no documentário, também na conversa com o VM fez questão de entoar alguns versos do cancioneiro popular português.

Voz das Misericórdias, Duarte Ferreira