Em Vila do Conde foram entregues mais 97 casas ao abrigo do Programa 1.º Direito e da Estratégia Local de Habitação

A entrega de 97 habitações a famílias do concelho de Vila do Conde, ao abrigo do Programa 1.º Direito e da Estratégia Local de Habitação, representa muito mais do que uma resposta à carência habitacional. Para Rui Maia, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, o projeto está a transformar a vida de dezenas de famílias e a criar novas oportunidades para as gerações mais jovens.

Na cerimónia realizada no Teatro Municipal de Vila do Conde, no dia 16 de junho, o dirigente destacou que os beneficiários pertencem a grupos particularmente vulneráveis, incluindo idosos, pessoas com deficiência, famílias monoparentais e agregados com vários filhos menores.

“Mais do que dar um teto ou uma casa a estas pessoas, estamos a conseguir mudar o futuro de muitas crianças”, afirmou o provedor, lembrando que na primeira fase do projeto, que contemplou 67 habitações, foram apoiadas famílias que representam cerca de 70 crianças.

Em paralelo com a atribuição das chaves, o acompanhamento social tem permitido melhorar a integração profissional das famílias, promover a formação e criar novas perspetivas para quem, em muitos casos, vivia há décadas em condições precárias. “Havia pessoas que estavam há 15 ou 20 anos à espera de uma casa e em condições absolutamente indignas. Estamos agora a ajudá-las a mudar o seu percurso de vida”, sublinhou.

O provedor da Misericórdia de Vila do Conde considera que o sucesso do projeto resulta da cooperação entre a instituição, a Câmara Municipal e o Estado, defendendo que este modelo deve ser replicado noutras regiões do país.

Rui Maia explicou que “a disponibilidade de terrenos por parte da Santa Casa permitiu acelerar significativamente o processo, evitando atrasos associados à aquisição de terrenos e ao desenvolvimento dos projetos”. Além disso, destacou que todos os concursos públicos lançados encontraram empresas interessadas e que os prazos previstos estão a ser cumpridos.

No total, a instituição está en- ‘Gulbenkian Integração de Imigrantes’ volvida na criação de mais de 300 soluções habitacionais no concelho. Depois das 67 casas entregues numa primeira fase e das 97 agora atribuídas, está prevista a entrega de mais cerca de uma centena de habitações durante os próximos meses.

Um dos aspetos destacados pelo provedor é o acompanhamento contínuo prestado às famílias após a entrada nas novas casas. “Uma equipa multidisciplinar, apoiada pelo Contrato Local de Desenvolvimento Social, trabalha diretamente com os agregados familiares para ajudar a resolver problemas, criar projetos de vida e promover a integração social”.

A iniciativa conta ainda com uma rede de mais de duas dezenas de voluntários que “prestam apoio ao estudo às crianças e jovens residentes, numa estratégia que já está a produzir resultados ao nível do sucesso escolar e da motivação dos alunos”.

Apesar dos resultados alcançados, Rui Maia alerta que a crise da habitação continua longe de estar resolvida. Como exemplo, refere que para as 97 habitações agora atribuídas existiram cerca de 650 candidaturas, a maioria elegível para o programa.

“Estas casas resolvem uma pequena parte do problema, talvez 15 ou 20 por cento. Continua a haver muita gente sem acesso a uma habitação condigna”, alertou.

O provedor defende ainda “um reforço das políticas públicas de habitação, sobretudo dirigidas aos jovens e às famílias de rendimentos médios e baixos, que enfrentam crescentes dificuldades para comprar ou arrendar casa num contexto imobiliário marcado pela escassez de oferta e pelo aumento dos preços”. O Programa 1.º Direito é uma medida governamental gerida pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana para garantir habitação digna a quem vive em condições precárias e não tem capacidade financeira para pagar uma casa.

Voz das Misericórdias, Paulo Sérgio Gonçalves