A Santa Casa da Misericórdia de Braga inaugurou, no último dia 15 de maio, um monumento composto de rocha e bronze, da autoria do escultor Hélder de Carvalho, evocando a gratidão e a memória dos benfeitores desta Misericórdia e, em especial, da figura de João Eulálio Peixoto de Almeida, antigo provedor da instituição. A cerimónia reuniu representantes institucionais, autárquicos e eclesiais no local escolhido para albergar a obra de arte, no jardim do Bairro da Misericórdia.
Na sua intervenção, o provedor da Misericórdia de Braga, Bernardo Reis, sublinhou o profundo significado da homenagem, destacando que o monumento “não é apenas pedra, bronze ou memória materializada”, mas “um símbolo vivo de gratidão” para com todos aqueles que, ao longo de mais de cinco séculos, contribuíram para a missão da instituição. Recordando o contexto difícil vivido após a nacionalização do Hospital de São Marcos, em 1974, enfatizou o papel decisivo de João Eulálio Peixoto de Almeida, cuja liderança “se revelou decisiva para garantir que a Misericórdia de Braga continuasse a sua missão, preservando a sua identidade e preparando-a para um novo ciclo de serviço à comunidade”.
Entre outros presentes na cerimónia, o vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, Altino Bessa, destacou a importância da instituição na cidade, sublinhando a estreita cooperação entre o município e a Misericórdia em diversas áreas. Para o autarca, esta “é uma homenagem a todos os seus provedores, mas é uma homenagem também a todos os seus benfeitores”, reconhecendo o contributo coletivo que sustentou a ação da Santa Casa ao longo da sua história e a sua importância para a região. O responsável felicitou ainda o escultor Hélder de Carvalho pela obra agora inaugurada, considerando- -a uma representação simbólica e duradoura deste legado.
Na intervenção de encerramento, o arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, sublinhou a dimensão humana e espiritual da homenagem, evocando a importância de “preservar rostos e vozes”, numa referência à memória dos benfeitores que marcaram a história da instituição. Num contexto de desafios sociais e num tempo de incerteza, o prelado apelou à responsabilidade coletiva de promover valores como a esperança e a confiança, especialmente junto das novas gerações.
A cerimónia, realizada naquele que é o Dia Internacional da Família, foi também uma evocação do papel da Misericórdia enquanto instituição ao serviço das comunidades, com especial atenção aos mais vulneráveis. Num tempo exigente para as instituições sociais, esta homenagem reafirma a atualidade dos valores da Misericórdia e a importância do compromisso coletivo na resposta aos desafios sociais do presente.
O monumento agora inaugurado ficará como testemunho dessa missão e como um apelo permanente à solidariedade de todo o corpo social, recordando que “as instituições perduram quando encontram pessoas dispostas a partilhar tempo, recursos, inteligência e coração em favor dos outros”, conforme sublinha Bernardo Reis.
Recorde-se que a Misericórdia de Braga acompanha diariamente mais de 600 pessoas, através de diversas respostas.
Voz das Misericórdias, Alexandre Rocha