UMP e CCDR Centro assinaram, a 11 de dezembro, um protocolo para conservação, estudo e divulgação do património cultural das Santas Casas da região

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro assinaram, a 11 de dezembro, um protocolo de colaboração, na igreja da Misericórdia de Buarcos, que visa a conservação, estudo e divulgação do património cultural das Santas Casas da região. No âmbito desta colaboração, as equipas da CCDR Centro prestarão apoio técnico às Santas Casas, através de ações de avaliação, diagnóstico e aconselhamento nas intervenções necessárias.

Na cerimónia, o presidente da UMP, Manuel de Lemos, valorizou o reforço desta parceria, iniciada em julho de 2025 com a CCDR Alentejo, que potencia a “salvaguarda do património e o desenvolvimento do território”. Na presença de representantes de entidades locais e Misericórdias, destacou ainda a dimensão imaterial deste património que é “decisiva para a construção da nossa memória coletiva e desenvolvimento dos territórios”.

Mesmo sem dotação financeira, a vice-presidente da CCDR Centro considera que este protocolo “é o primeiro de vários passos que vamos dar em conjunto, sobretudo ao nível do apoio técnico”. Aludindo à recente integração das competências culturais nas CCDR, Alexandra Rodrigues assumiu como uma mais-valia “esta nova dimensão, mantendo a proximidade ao território e aos atores relevantes na defesa do património”. E quando se equaciona este património, é “inquestionável pensar nas Misericórdias”, em particular, numa região onde “40% são anteriores a 1600, o que reforça a sua importância e necessidade de intervenção”.

No âmbito desta parceria, estão previstas ações de “apoio à conservação, inventariação, divulgação e desenho de candidaturas conjuntas, num espírito de aproximação à CCDR”, destacou Nuno Reis, vogal do Secretariado Nacional da UMP, com a área da cultura, deixando um alerta final: “Quando se transferem competências devemos evitar que se prejudique a articulação com os beneficiários e assim vamos evitar a tal fragmentação das políticas”.

A sessão ficou ainda marcada pelo anúncio da abertura de candidaturas ao Fundo Rainha D. Leonor (FRDL), em 2026. Inês Dentinho, do conselho de gestão do FRDL, revelou tratar-se de “um concurso exclusivo à área do património e para Misericórdias que se candidataram há mais de três anos”. Na região, o fundo criado pela Santa Casa de Lisboa e UMP já foi responsável por 46 obras, 15 das quais na área do património. Após um interregno, o “fundo teve novo fôlego, em 2025, chegando [nesta região] a Aveiro, Buarcos, Coimbra, Guarda, Santar, São Vicente da Beira, Tábua e Vila de Pereira”.

A igreja da Misericórdia de Buarcos, que acolheu esta cerimónia, recebeu apoio do FRDL, em 2017, para obras de recuperação e conservação, permitindo, segundo o provedor Carlos Abreu, “devolver a traça original ao imóvel do século XVI”. Enquanto anfitrião, declarou que “esta assinatura ganha um significado especial para nós, em Buarcos, porque reforça a importância da união de esforços em prol da nossa herança cultural”.

No total, existem 118 Misericórdias ativas na área abrangida.

Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas