A Santa Casa da Misericórdia de São João da Pesqueira renovou os seus edifícios no centro histórico, que renascem agora com novas funções

A Santa Casa da Misericórdia de São João da Pesqueira celebrou um novo marco no seu percurso de 457 anos com a inauguração, a 13 de setembro, das obras de requalificação da capela e das obras de reconstrução e reabilitação integral do edifício do antigo hospital e maternidade, que renasce agora com novas funções sociais, clínicas, institucionais e culturais.

No rés-do-chão funcionam as instalações da Clínica Sentir Douro – Centro Psicopedagógico e Terapêutico do Douro, onde são prestados cuidados especializados nas áreas da pedopsiquiatria, psiquiatria, terapia da fala e terapia ocupacional. Atualmente, a clínica acompanha cerca de 50 crianças e jovens.

A atividade da Sentir Douro tem vindo a ganhar dimensão através de parcerias com municípios e estabelecimentos de ensino da região. A clínica mantém uma importante articulação com a Segurança Social, permitindo que famílias economicamente mais vulneráveis tenham acesso a sessões terapêuticas gratuitas ou a custos reduzidos.

Nos pisos superiores foram criadas a sala de reunião da Mesa Administrativa e uma unidade de alojamento, concebida como resposta de economia social destinada a contribuir para a sustentabilidade das atividades desenvolvidas pela Irmandade.

A intervenção contemplou igualmente a requalificação da capela da Misericórdia, a construção de uma nova sacristia e trabalhos que garantem a segurança da torre sineira. Foi ainda criada uma área permanente dedicada à valorização e divulgação do património histórico e cultural da instituição.

A concretização deste projeto representou um investimento financeiro significativo para a Misericórdia de São João da Pesqueira, tendo o Fundo Rainha Dona Leonor, resultante da parceria entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a União das Misericórdias Portuguesas, assumido um papel fundamental na intervenção, com uma comparticipação de cerca de 206 mil euros.

O município assegurou 34% do valor não comparticipado pela candidatura ao Fundo Rainha Dona Leonor, no âmbito dos protocolos de apoio estabelecidos com as instituições particulares de solidariedade social do concelho.

Na cerimónia, a provedora Carla Pêgo destacou o significado do regresso das respostas de saúde. “Há cerca de 50 anos que esta instituição não dispunha de respostas ativas na área da saúde no seu edifício-sede. Honrando o passado, voltamos a abraçar esta missão. Devolvemos à Praça da República, com dignidade, o edifício que é a imagem emblemática do concelho de São João da Pesqueira e a sede da nossa Misericórdia, o qual foi objeto de obras”.

O secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, destacou a importância da cooperação entre a autarquia, a sociedade civil e as instituições sociais para a concretização da empreitada.

“Esta obra demonstra aquilo que é possível fazer quando temos uma autarquia e uma sociedade civil que trabalham em conjunto, com parceiros sérios e com um objetivo comum. Quando existe essa capacidade de cooperação, as obras aparecem, o património é recuperado e, sobretudo, as pessoas beneficiam.”

O governante salientou também o papel dos trabalhadores das Misericórdias, sublinhando que estas instituições não assentam exclusivamente no voluntariado. “Temos desenvolvido, juntamente com o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, um trabalho na defesa das pessoas e de valorização das Misericórdias. Estas instituições não vivem apenas do voluntariado: representam milhares e milhares de trabalhadores em todo o país. É, por isso, fundamental continuar a lutar pela valorização desses profissionais, pela sua formação e pelo reconhecimento do trabalho que desenvolvem diariamente.”

A recuperação do património foi outra das dimensões destacadas pelo secretário de Estado, que defendeu a sua utilização em benefício das comunidades. “Temos de mobilizar o nosso património para servir as pessoas. Felizmente, é isso que encontramos aqui em São João da Pesqueira: um exemplo muito feliz de como é possível recuperar património, dar-lhe uma nova vida e colocá-lo ao serviço da comunidade.”

Ângela Guerra, administradora e vogal da Mesa da Santa Casa de Lisboa, considerou que a intervenção representa um momento de renovação para a Misericórdia de São João da Pesqueira. “Este marco que aqui deixamos vem apoiar uma refundação de uma Santa Casa que, algures no tempo, perdeu a sua capacidade de resposta e que agora abre de novo. Com esta categoria de restauro, terá um papel ativo muito importante na vida das pessoas de São João da Pesqueira.”

Por sua vez, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, enalteceu a presença do secretário de Estado, destacando a importância de “ver o resultado do nosso trabalho”. Os elogios estenderam-se a Ângela Guerra e Inês Dentinho pelo “trabalho fantástico” desenvolvido no Fundo Rainha Dona Leonor.

Também o vice-presidente da Câmara Municipal de São João da Pesqueira, José Luís Rodrigues, destacou a importância das obras, considerando tratar-se “de uma intervenção fundamental para o futuro da instituição” e um contributo para a preservação de “um património arquitetónico de valor inestimável para o concelho”.

A cerimónia incluiu ainda a inauguração de uma exposição conjunta dos arquivos históricos das Santas Casas de São João da Pesqueira e de Lisboa.

Voz das Misericórdias, Cármina Fonseca