Estudantes criaram manual para apoiar a velhice de pessoas com deficiência

Duas estudantes do Instituto Politécnico de Bragança, durante o estágio no Centro de Educação Especial, da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, criaram um manual para orientar a “intervenção de gerontologia junto de pessoas com deficiência congénita em processo de envelhecimento”.

“Como gerontólogas, o nosso foco não deve ser apenas o envelhecimento em termos gerais, mas sim as particularidades de cada indivíduo, especialmente no caso de pessoas com deficiência congénita que estão a envelhecer”, realçou uma das estudantes, Margarida Silva.

De acordo com a outra autora, Carolina Nogueiro, o manual aborda o enquadramento teórico da gerontologia, as especificidades do envelhecimento em pessoas com deficiência, técnicas de comunicação, gestão do luto, atividades adaptadas e estratégias para a promoção da saúde e do envelhecimento ativo.

O manual, que mais tarde será transformado em livro e distribuído pelas instituições do país, tem uma linguagem “mais simples” e “estruturada”, de fácil compreensão e que visa “auxiliar outros profissionais” a “identificar métodos de intervenção adequados” para pessoas com deficiência.

“Esforçámo-nos por criar um recurso que os profissionais pudessem consultar diariamente, apresentando informações de modo claro e direto. Tenho a convicção de que será valioso não só para gerontólogos, mas também para outros especialistas que lidam diretamente com idosos com deficiência. É claro que o manual não substitui a formação profissional ou a avaliação individualizada, mas funciona como um auxílio para decidir e agir”, afirmou Margarida Silva.

Este instrumento foi criado ao longo de meio ano durante o estágio das alunas no Centro de Educação Especial, da Misericórdia de Bragança, e resultou da conjugação de “dados científicos relevantes” e das “reais necessidades da população”.

“Duas pessoas podem ter a mesma idade ou a mesma condição, mas apresentar competências, necessidades e formas de comunicação totalmente distintas. Por isso, o envelhecimento deve ser visto de maneira muito individualizada”, vincou Margarida Silva.

Ao VM, o provedor da Misericórdia de Bragança, Duarte Fernandes, realçou a importância deste instrumento. “Pode servir de base para formação de futuros profissionais”, disse o dirigente, sublinhando que a instituição tem vindo a contratar, cada vez mais, colaboradores imigrantes e, por isso, entende que este manual será importante para a sua formação.

Voz das Misericórdias, Ângela Pais