‘Pintar os afetos’ é o título da exposição criada no Centro João Paulo II, pela mão e criatividade de Antónia Neves, utente da instituição, com apoio da educadora social Maria Serrano, que está patente até 27 de fevereiro no Consolata Museu de Arte Sacra e Etnologia (MASE), em Fátima. A mostra é “um convite a abraçar as artes” de Antónia, residente na instituição “há mais de 25 anos”, que usa a pintura como forma de expressão e de comunicação.

Com “grande capacidade cognitiva”, Antónia não fala e tem problemas motores, que a obrigam a andar de cadeira de rodas e lhe afetam a motricidade das mãos. “Ela escolhe as cores e nós colocamos-lhe a caneta entre os dedos indicador e médio e vamos ajustando a folha [de papel]”, revela Maria Serrano, que trabalha diariamente com a utente, testemunhando a sua paixão pela pintura.

Segundo a técnica, a ideia de transformar em exposição os trabalhos realizados no âmbito das atividades que desenvolve com a utente nasceu no final do último ano letivo, quando estava a arquivar os desenhos. “Pareceu-me que mereciam mais do que ficar fechados numa gaveta”, conta Maria Serrano.

“São obras que merecem ser apreciadas. Saíram destes trabalhos muitos afetos, sentimentos, emoções e carinho. É também esse o espírito do Centro João Paulo II, uma casa que toca o coração de todos”, disse o padre Simão Pedro, representante da congregação dos Missionários da Consolata, durante a inauguração. Ao lado, Antónia Neves ouvia as intervenções com um sorriso no rosto, expressando a alegria que sentia.

Voz das Misericórdias, Maria Anabela Silva