A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) criticou ontem, na comissão parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, a visão “irrealista” do PS e do governo sobre as altas sociais, que propõe soluções provisórias para problemas estruturais. Apesar das críticas, o vice-presidente da UMP, Carlos Andrade, garantiu que as Misericórdias estão disponíveis para implementar soluções ajustadas à realidade, na audição sobre o projeto de lei do PS, que cria o programa “Voltar a Casa” para responder às pessoas com alta clínica nos hospitais.

Ouvido no Parlamento a 7 de abril, o vice-presidente Carlos Andrade considerou que tanto o diploma do governo, que criou as camas intermédias, como a proposta do PS, partem de um “erro de análise” ao assumir que se trata de uma situação temporária. “É uma ideia perigosa e errada pensar que estamos perante uma emergência passageira que depois volta ao normal”, referiu.

O responsável da UMP criticou, em particular, a previsão de estruturas de pequena dimensão (10 ou 20 vagas) e curta duração (seis meses), afirmando que tais medidas são insuficientes para o volume de casos e revelam falta de planeamento na resposta ao envelhecimento.

Além disso, a natureza transitória das respostas condiciona, nalguns casos, a adesão ao programa “porque implica investimentos que podem não ter retorno”, sublinhou.

Para Carlos Andrade, a solução deve ser enquadrada numa estratégia mais ampla de apoio à população idosa, sendo necessário para tal reduzir constrangimentos legais e financeiros que dificultam a criação ou adaptação de respostas, e apostar em soluções mais flexíveis, como o apoio domiciliário, numa versão adaptada às necessidades.