A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) participou a 30 de março numa mesa redonda sobre o panorama da habitação em Portugal com membros da Comissão do Parlamento Europeu para a Habitação (HOUS). O vice-presidente Manuel Maia Frazão, com o pelouro do património e habitação social, representou a UMP na reunião com agentes dos setores público e social, que decorreu em Lisboa, no Gabinete de Ligação do Parlamento Europeu.
Irene Tinagli, presidente da Comissão HOUS, abriu a sessão dizendo que este “é um dos maiores desafios que enfrentamos hoje e um problema de emergência social, que coloca entraves às famílias, jovens em início de carreira e empresas que não conseguem reter trabalhadores”. Além disso, destacou, “Lisboa é uma das cidades europeias onde a renda supera 100% o salário médio mensal [relatório do Conselho da União Europeia, outubro 2025], sendo prioritário escutar as experiências e perspetivas de quem atua nesta área”.
Na sua primeira intervenção, Manuel Maia Frazão destacou o papel das Misericórdias “na criação de emprego e gestão de um vasto património, onde se incluem 110 bairros sociais e 3300 fogos, edificados nos anos 1980 e 1990”. Alertou, contudo, que este parque habitacional carece de uma “intervenção urgente, mas também de um enquadramento legal adequado, com processos de construção simplificados e financiamento a longo prazo”.
Outro desafio prende-se com a complexidade do mercado de arrendamento, que tem de um lado “rendas demasiado elevadas, mas também contratos antigos com rendas de 50 euros, que não permitem requalificar os imóveis”. Este cenário cria incerteza e desincentiva o investimento uma vez que “não podemos hipotecar o futuro das instituições”.
Por fim, alertou que a sobrecarga no setor da construção, provocada pelo volume de empreitadas, fez disparar os custos das obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).